Boas práticas na indústria no período de estiagem


24 jul/2015

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Odorico Pereira de Araújo
Superintendência de Desenvolvimento Industrial da Fiemg
Membro do CBH-Doce e da Câmara Técnica Institucional e Legal (CTIL) do CBH-Doce

Temos que entender que vivemos um período de escassez de água e que este quadro não tem perspectiva de melhora. Trata-se de uma situação que veio para ficar. Estamos trabalhando com a expectativa de uma redução de oferta de água e, ao mesmo tempo, com a possibilidade da falta deste recurso em algumas regiões. Um ponto a destacar é que nossos reservatórios se encontram com volume baixo e a perspectiva de reabastecimento por chuva nos próximos meses é muito pequeno. Algumas bacias, inclusive, já se encontram em estado de atenção, outras em estado de alerta e, na Região Metropolitana, em restrição do uso, que significa redução no consumo de 30%, conforme estabelece a Deliberação Normativa  CERH/MG Nº 49, de 25 de março de 2015.

Estamos trabalhando com nossos filiados e associados no sentido de um aproveitamento sistêmico, do uso racional e/ou do reuso da água. Estas práticas estão se tornando cada vez mais comuns com as mudanças na relação oferta/demanda, ainda que as perspectivas de retorno do investimento não sejam animadoras – em processos industriais, por exemplo, tais sistemas reduzem em até 80% o consumo de água.

Trabalhamos com dicas genéricas que têm excelentes resultados na redução do consumo de água nos processos produtivos.  Inicialmente, sugerimos dicas para a racionalização do uso e, caso a empresa tenha condições de investir na recirculação, reuso. Primeiramente, é necessário elaborar um Plano de Ação, composto das seguintes etapas: diagnóstico; prognóstico; aplicação de medidas corretivas; e levantamento dos resultados obtidos. As medidas sempre vão gerar investimento e custo de manutenção, além de receita. Se na produção o recurso hídrico é matéria prima, que quantidade – e em que nível de qualidade – este recurso é utilizado no processo, ou melhor, em cada produto? Também é fundamental verificar se em sua planta é permitido reutilizar a água. Fazer o mapa do fluxo de água da captação até o lançamento do efluente é igualmente necessário. Após o diagnóstico, seguem-se medidas para redução do consumo ou a possibilidade do reuso.

Apesar de a crise hídrica ter sido noticiada apenas no final de 2014, várias empresas já vinham adotando medidas de uso racional da água, incluindo sistemas de reuso.  Relatórios mostram que no setor de mineração o índice de reuso da água chegou a 80% em 2014 e no setor siderúrgico o reaproveitamento chegou a 90%. A Fiat Automóveis conseguiu uma redução de 99% no consumo de água. A Itambé aproveita 100% de água condensada dos processos de evaporação e a reutiliza no próprio processo industrial. Algumas Unidades do Sistema Fiemg, Senai e Sesi  conseguiram reduzir em 40% o consumo de água, com mudanças de hábito e atitude.

Para enfrentar os desafios da gestão eficiente da água, mudanças serão necessárias, desde a melhoria nos sistemas de produção de bens e serviços e a proteção e a recuperação do meio ambiente, até a reestruturação do modelo de gestão e de relacionamento do governo com os cidadãos. Para se atingir uma evolução significativa em termos de gestão, é preciso educar, mobilizar os setores produtivos, investir em informações, em ampla divulgação de dados e em transferência de tecnologia. No ambiente de negócios é primordial sabermos como preservar os estoques deste precioso líquido. Não se permite mais instalar um negócio sem estudar os impactos causados pelo uso dos recursos hídricos. A poluição das águas superficiais ou subterrâneas limita o uso para fins de abastecimento público, para irrigação e até para fins industriais, comprometendo o próprio desenvolvimento da economia das regiões afetadas. Embora o Brasil seja privilegiado quanto ao volume de recursos hídricos, a disponibilidade de água de boa qualidade já se tornou um dos problemas ambientais mais sérios da atualidade. As reservas vêm diminuindo, como consequência de contaminação das águas superficiais, do desgaste dos lençóis freáticos e do uso indiscriminado desse bem. Os problemas ambientais atuais devem servir de lição. A natureza existe para ser utilizada. Porém, sua capacidade de ser alterada é limitada. O homem disporá sempre dos recursos naturais se usá-los de forma adequada, agindo como parte da natureza e não como seu dono absoluto.


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