CBHS DO RIO DOCE/ES CELEBRAM PARCERIA EM CERIMÔNIA DE ENTREGA DE RECURSOS A PRODUTORES


9 jun/2017

O encontro reuniu centenas de agricultores da região e marcou o pagamento por serviços ambientais a participantes de um arranjo de recuperação ambiental

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Uma cerimônia, realizada em Santa Teresa/ES, no dia 9 de junho, reuniu centenas de agricultores participantes de um arranjo de recuperação ambiental e marcou a entrega simbólica de recursos destinados à compra de insumos para intervenções de adequação ambiental de 360 propriedades rurais da porção capixaba da Bacia do Rio Doce, em um total de investimentos de aproximadamente R$ 2 milhões. A parceria, firmada entre os Comitês de Bacia dos rios Guandu, Santa Maria do Doce e Pontões e Lagoas do Rio Doce; o Governo do Estado, por meio do Programa Reflorestar; o Instituto BioAtlântica e a The Nature Conservancy (TNC), contemplou 600 propriedades rurais, resultará, num primeiro momento, em um aumento de mais de 700 hectares de cobertura florestal e na conservação e manutenção de florestas existentes em uma área superior a 1000 hectares, em 360 propriedades contempladas, nos municípios de Afonso Cláudio, Baixo Guandu, Brejetuba, Laranja da Terra, Santa Teresa, São Roque do Canaã, Governador Lindemberg, Rio Bananal, São Gabriel da Palha e Vila Valério. A expectativa é de que o valor a ser investido ultrapasse R$ 13 milhões.

O presidente do CBH-Doce, Leonardo Deptulski, destacou a importância da promoção de ações sustentáveis no campo e ressaltou os esforços dos Comitês de Bacia em dar apoio aos produtores, a fim de possibilitar o aumento da produção no campo, aliado à recuperação ambiental. “Ações combinadas são essenciais e estamos trabalhando de forma intensa para recuperar a nossa bacia. O que vai nos trazer resultados é um trabalho integrado. E, para isso, precisamos do apoio dos agricultores, que é de fato quem produz água”, ressaltou. Para Aladim Cerqueira, secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado do Espírito Santo, “é importante mostrar aos produtores rurais que é possível transformar florestas em renda, explorando, por exemplo, madeira de forma sustentável ou através dos pagamentos por serviços ambientais, evitando a ameaça de destruir o meio ambiente. Nesse sentido, modelamos o Programa Reflorestar, de forma que ele seja acessível aos nossos agricultores”. O diretor geral do IBIO, Ricardo Valory, falou sobre o apoio da agência de água às ações desenvolvidas pelos CBHs do Rio Doce e destacou o empenho de toda a equipe para que as ações deliberadas pelo CBH sejam executadas da melhor forma possível. “Essa é apenas uma parte do trabalho desenvolvido pelos Comitês, que também trabalham com o incentivo do uso racional da água no campo, promoção do saneamento básico e está empenhado na construção de estratégias para a implantação de ações de controle da geração de sedimentos, saneamento rural e educação ambiental”, disse.

A presidente do CBH-Guandu, Kamilla Pessoti, falou sobre a crise hídrica, que assola o Espírito Santo, e destacou os esforços dos CBHs na construção de estratégias para amenizar os efeitos da seca e promover melhorias efetivas nos cursos d’água. “Trabalhamos hoje com os recursos federais, arrecadados no Rio Doce, mas queremos a cobrança pelo uso da água em nosso Estado, para que possamos ampliar nossas ações”. O conselheiro do CBH-Santa Maria do Doce, César Carvalho, lembrou que as ações dos CBHs são embasadas em estudos, por meio do Plano Integrado de Recursos Hídricos da Bacia do Rio Doce (PIRH Doce). “Apesar de ainda termos muito o que evoluir, nosso trabalho é guiado por levantamentos importantes sobre o uso do solo, desmatamento, atividades econômicas da bacia. Não é possível trabalhar melhorias sem conhecer nossos problemas”, destacou. Já o presidente do CBH-Pontões e Lagoas do Rio Doce, Antônio Ruy, agradeceu a presença dos produtores, que se despuseram a deixar suas atividades para conhecer o trabalho dos comitês de bacia.

Entenda a parceria

Cientes da importância da recuperação e conservação de olhos d’água para o aumento da disponibilidade hídrica e, consequentemente, diminuição dos impactos da estiagem nos cursos d’água, os CBHs dos rios Guandu, Santa Maria do Doce e Pontões e Lagoas do Rio Doce, em parceria com o Governo do Estado, a TNC e o IBIO, investirão na adequação ambiental de 600 propriedades rurais em dez municípios do Espírito Santo, pertencentes à porção capixaba da Bacia do Rio Doce.

Os Comitês de Bacia, com o apoio do IBIO e através do Programa de Recomposição de APPs e Nascentes, investiram na contratação de empresa especializada na elaboração do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e de projetos de plantio de espécies florestais para fins de conservação e/ou adoção de práticas rurais sustentáveis, que demandarão investimentos de cerca de R$ 1,5 milhão – recurso oriundo da cobrança pelo uso da água na porção federal do Rio Doce.

O IBIO, responsável pela articulação dos atores e efetivação da parceria, também atuou, com o apoio da TNC, na identificação de áreas prioritárias e no suporte técnico. Já o Estado do Espírito Santo, por meio do Programa Reflorestar, custeará a compra de insumos para a adequação ambiental das propriedades e, após as intervenções, também será responsável pelo Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), que devem consumir R$ 12 milhões.


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