Ministério Público solicita nova investigação sobre mortandade de peixes em Ferros


3 jul/2015

Objetivo é identificar de onde vieram animais mortos e a causa do episódio registrado em maio

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) solicitou uma nova análise da água do rio Santo Antônio e dos peixes encontrados mortos em suas margens, em maio, na cidade de Ferros. O objetivo é saber de onde vieram os animais e a causa da mortandade, uma vez que no mesmo período – entre os dias 18 e 22 – moradores de Carmésia, município distante cerca de 20 km, também registraram o episódio.

As primeiras informações colhidas pela Polícia Militar de Meio Ambiente em Ferros deram conta de que os animais já chegaram mortos ao município e, por isso, a população foi orientada a não pescar na região enquanto durar a investigação.

Em seguida, duas análises foram feitas para identificar as causas da mortandade. Amostras da água do rio foram levadas para o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Itabira e um laboratório sediado em Belo Horizonte se encarregou de avaliar o estado em que os peixes foram encontrados.

Na análise foi identificada uma quantidade maior de ferro na água do rio. A expectativa de que os peixes possam ter sido vítimas de agrotóxicos, por sua vez, não se concretizou.

O resultado não satisfez os representantes do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Santo Antônio, que acompanham de perto as investigações. De acordo com Tereza Cristina Almeida Silveira, representante do CBH-Santo Antônio em Ferros, ainda há informações de presença de peixes mortos no rio, o que é motivo de apreensão. “A população clama por uma definição do que provocou esta mortandade e de quando poderão pescar e nadar novamente no Rio Santo Antônio, o que infelizmente as analises não puderam esclarecer”, afirmou. 

Relembre o caso

No dia 18 de maio, moradores da cidade de Ferros encontraram vários peixes mortos – parte deles já em estado de decomposição – às margens do rio Santo Antônio. Depois disso, uma investigação foi aberta para apurar o caso. Na ocasião, o presidente do CBH-Santo Antônio, Felipe Benício Pedro, ressaltou a importância de se diagnosticar o problema para evitar que o episódio se repita. “Já enviamos um ofício aos órgãos de Estado competentes (Igam, Semad e Siam) para que sejam tomadas as devidas providências”, informou.

A bacia

A Bacia Hidrográfica do Rio Santo Antônio é parte da macrobacia do rio Doce e está localizada na região do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, numa área de 10.429,46 km². Seus principais cursos d’água, além do Rio Santo Antônio, são os rios Guanhães, do Peixe, Tanque e Preto do Itambé.  O rio Santo Antônio nasce na Serra do Espinhaço, no município de Conceição do Mato Dentro, e tem 280 quilômetros de extensão. 

CBH-Santo Antônio

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Santo Antônio (CBH Santo Antônio) foi criado por meio do Decreto Estadual N° 42.595, de 23/05/2002, após intenso trabalho de mobilização social na região. Tem caráter normativo e deliberativo. Sua finalidade é atuar na gestão dos recursos hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio Santo Antônio, a fim de viabilizar a promoção de programas e políticas de preservação e recuperação da bacia, bem como o desenvolvimento sustentável da área que abrange.


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