Produtores rurais da Bacia do Rio Barra Seca e Foz do Rio Doce se reúnem em Sooretama para apresentação de arranjo ambiental


28 ago/2017

Iniciativa prevê a recuperação da cobertura florestal de 150 hectares e é fruto de parceria entre IBIO, CBH-Barra Seca e Foz do Rio Doce ,Governo do ES, TNC, Leão Alimentos e Coca-Cola

Durante cerimônia realizada no dia 24 de agosto, na Câmara de Vereadores de Sooretama/ES, foi  apresentado o projeto de Adequação Ambiental da bacia do Barra Seca e foz do rio Doce (ES) e os 10 primeiros proprietários rurais contemplados pela iniciativa que passarão a integrar o arranjo institucional para a recuperação de 150 hectares de cobertura florestal de propriedades situadas na região dos córregos do Cupido e do Pau Atravessado, localizados na Bacia Hidrográfica do Rio Barra Seca.

A iniciativa é fruto de uma parceria entre o IBIO, CBH-Barra Seca e Foz do Rio Doce, o Governo do Espírito Santo (através do Programa Reflorestar), a The Nature Conservancy (TNC), a Leão Alimentos e a Coca-Cola. A meta é contemplar 51 propriedades rurais por meio da elaboração e implantação de projetos técnicos de adequação ambiental. Esta adequação é fundamental para o aumento da disponibilidade hídrica e da qualidade ambiental da região, marcada por recorrentes conflitos pelo uso da água e pelo manejo não sustentável do solo.

Compareceram à cerimônia, além de produtores rurais da região, o prefeito de Sooretama, Alessandro Broedel; o diretor geral da Leão Alimentos e Bebidas, Axel de Meeûs; o subsecretário de estado de agricultura do Espírito Santo, Marcos Magalhães; o diretor presidente do IBIO, Eduardo Figueiredo; a especialista em conservação da The Nature Conservancy (TNC), Vanessa Girão; o gerente do programa Reflorestar, Marcos Sossai; a presidente do CBH-Barra Seca e Foz do Rio Doce, Dolores Colle;  representantes da TROP sucos; vereadores do munícipio, entre outras autoridades locais e convidados.

Ações do IBIO

O IBIO fez uma priorização para identificar as áreas mais vulneráveis e com maiores índices de conflitos pelo uso da água. De acordo com o coordenador de programas e projetos do IBIO, Thiago Belote, a forte crise hídrica na região impacta tanto a agricultura quanto a economia. “Devido ao impacto das práticas atuais, observamos a necessidade de pensar e implementar práticas agrícolas mais sustentáveis, que promovam tanto a produção agrícola quanto a conservação dos recursos naturais como as florestas nativas, a água e os solos”, disse Belote. A técnica agrícola do IBIO, Jaqueline Cozzer, reforça que para definição da área alvo do projeto, foi realizada uma análise da vulnerabilidade da bacia com base na identificação dos usos do solo, usos da água,  balanço hídrico e potencial erosivo. Após essas identificações, iniciou-se o processo de mobilização dos proprietários rurais e visitas de avaliação às propriedades com potencial de adesão ao projeto.

O diretor presidente do IBIO, Eduardo Figueiredo, deu destaque à participação da população na gestão dos recursos hídricos, através dos Comitês de Bacia Hidrográfica. “O IBIO é uma instituição sem fins lucrativos que conta com o apoio de diversos parceiros, com destaque aos comitês de bacia. Os CBHs reúnem sociedade civil, iniciativa privada e poder público para discutir e gerenciar os recursos oriundos da cobrança pelo uso da água e outras questões essenciais à gestão das águas. O CBH-Barra Seca e Foz do Rio Doce, por exemplo, é um dos nossos parceiros e este trabalho integrado já está gerando frutos como o arranjo institucional formado em prol da adequação ambiental e produtiva desta bacia”, comentou Figueiredo.

Visita técnica

Antes da cerimônia, os representantes da Leão Alimentos e Bebidas, governo do Espírito Santo, IBIO, TNC, CBH-Barra Seca e Foz do Rio Doce e TROP sucos visitaram a propriedade do produtor de café e pimenta no Córrego do Cupido, José Francisco dos Santos, um dos beneficiados pela  iniciativa.

Para Axel de Meeûs, diretor geral da Leão Alimentos e Bebidas, não adianta pagar ao produtor pelo serviço ambiental prestado, sem acompanhar de perto os resultados. “Devemos nos aproximar dos produtores. É preciso vir a campo e acompanhar os resultados. Não podemos apenas investir e deixar o propósito de lado. Os resultados somente serão alcançados se todos estiverem comprometidos com a causa”, disse Meeûs.

Para a presidente do CBH-Barra Seca e Foz do Rio Doce, Dolores Colle, esse primeiro momento é o mais desgastante, pois requer mobilização e apresentação do projeto. “Ainda estamos na fase de bater de porta em porta e convencer os produtores rurais de que a parceria depende de todos: instituições e agricultores. Precisamos nos lembrar, diariamente, de que é da nossa terra que brota o alimento e a água para a população” disse Dolores que também é produtora rural.

Construção coletiva em prol de um objetivo comum

Os investimentos da Coca-Cola Brasil, Leão Alimentos e Bebidas e TNC possibilitam ao IBIO realizar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) das propriedades, elaborar os projetos técnicos de adequação ambiental do Reflorestar e supervisionar a implantação dos planejamentos em campo. Já os recursos do CBH-Barra Seca e Foz do Rio Doce, provenientes da cobrança pelo uso da água, serão destinados às ações complementares, como saneamento e adequação de estradas rurais.

O pagamento por serviços ambientais (PSA) será realizado pelo Reflorestar, que depositará na conta dos produtores rurais os recursos relativos à proteção da floresta em pé, às compras de insumos para recuperação de nascentes e de áreas de preservação permanente (APPs) e, também, para a implantação dos sistemas agroflorestais previstos nos  contratos assinados entre o programa do governo do Estado e os agricultores.

Para o presidente da Leão Alimentos e Bebidas, Axel de Meeûs, a água é um dos principais bens para a população e o principal insumo de produção da Leão e da Coca-Cola, por isso, é essencial para a empresa investir em ações que ajudem na produção de água. “Nós temos a responsabilidade de gerar água. Por isso, devemos assegurar que nossa fábrica, em Linhares, produza água suficiente para manter nossa produção de alimentos e bebidas sem fechar o dia como devedor de água. Queremos fazer isso em nível mundial, sendo que os primeiros passos serão dados aqui na região”, disse Meeês, destacando, também, a importância de ter os produtores rurais como parte desse arranjo.

Durante encontro, foram apresentados os primeiros 10 proprietários que tiveram os projetos aprovados no Program reflorestar. Agora, os documentos serão encaminhados para emissão dos contratos com o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) para início dos Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA), previstos para os próximos 60 dias.

Visita Técnica

 


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